Mostrando postagens com marcador Alphonsus de Guimaraens Filho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alphonsus de Guimaraens Filho. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009


Velejar
Alphonsus de Guimaraens Filho

Velejar para onde?
Para que mundo, acaso,
se esse mundo se esconde
ou nos chega com atraso?

Velejar para que,
se essa mesma distancia
que o coração antevê
com tão profunda ânsia

a nada mais conduz
que ao grande desalento
de ver que tudo é luz
dispersa em água e vento?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009


Embalo
Alphonsus de Guimaraens Filho

Dá-me tuas mãos. Descansa.
O mundo já morreu.
Teu riso de criança,
O teu silêncio, e eu.

Repousa a tua cabeça
No reino imaginário.
Possível é que te esqueça
O doido solitário.

Nenhuma voz te chama,
Nenhum gemido... O amor
Não traz para quem ama
O anjo e sim a dor.

Dá-me tuas mãos. Descansa.
Vou dar-te o reino esquivo,
Ó pomba, ingênua criança...
O reino por que vivo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009


Que o amor me possa dar tudo que espero:
a cálida manhã, o aflito, esquivo
carinho, que se faça mais sincero
quanto o meu corpo reclamá-lo vivo...

Que me dê a alegria de uma infância
molhada de um abril fresco e macio.
Que me traga um perfume de distância,
de frutos, flores, sombras quentes, frio...

Que o amor me seja a luz doendo em lentas
oscilações de adeus na montanha...
Que o amor me seja a escada, o meu pomar,

o pouso, as madrugadas friorentas,
o corpo claro, a voz, a febre estranha,
e o reino, e o reino para além do mar...


Alphonsus de Guimarães Filho

Sonetos da Ausência XII
Alphonsus de Guimaraens Filho

Não te desejo mais pela amargura
nem pelas alegrias inconstantes:
quero beijar nas tuas mãos distantes
o amor que me alivia e transfigura.

Quero, sonhando a adolescência pura
no teu corpo febril, das mãos amantes,
colher nos ventos tudo quanto dantes
ambicionara em sedes de loucura.

Quero o teu riso, o teu silêncio, a graça
do teu vestido ao vento, o andar sereno
de ave marinha pelas madrugadas.

Quero colher em ti o que não passa
e pulsa em mim como o teu leve aceno
na distância impossível das estradas.

segunda-feira, 29 de junho de 2009


Quando Eu Disser Adeus...
Alphonsus de Guimaraens Filho

Quando eu disser adeus, amor, não diga
adeus também, mas sim um "até breve";
para que aquele que se afasta leve
uma esperança ao menos na fadiga

da grande, inconsolável despedida...
Quando eu disser adeus, amor, segrede
um "até mais" que ainda ilumine a vida
que no arquejo final vacila e cede.

Quando eu disser adeus, quando eu disser
adeus, mas um adeus já derradeiro,
que a sua voz me possa convencer

de que apenas eu parti primeiro,
que em breve irá, que nunca outra mulher
amou de amor mais puro e verdadeiro.

quinta-feira, 18 de junho de 2009


Cantiga de Praia
Alphonsus de Guimaraens Filho

Estou sozinho na praia,
estou sozinho e não sei.
Que luz adormece a face
se em gritos já me afoguei?

Estou dançando na praia?
Estou dançando? Não sei.
Eu colho com as mãos da ausência
a rosa que não beijei.

Que luz chega do outro lado,
do outro rio, do outro mar?
Estou sozinho na praia...
Ó mundo, vamos dançar!