Mostrando postagens com marcador Roseana Murray. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Roseana Murray. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de março de 2012

Riachinho
Roseana Murray
As águas claras
me contam segredos
de sol, de céu, de ar
e cantam acalantos
de ninar
enquanto correm ligeiras
da montanha para o mar.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Hora da Saudade
Roseana Murray
A tarde se esvai
lentamente
esgarçando suas luzes
em infinitos cristais
a tarde se esvai
e na alma fica um silêncio
de sinos mudos
uma espera ansiosa
de estrelas
uma saudade fininha
de não se sabe o quê.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Estrela Cadente
Roseana Murray

Quando eu estiver
com o olhar distante,
maninha,
com um jeito esquisito
de quem não está presente,
não se assuste,
ó maninha,
fui logo ali,
no quintal do céu,
colher uma estrela cadente.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Eu quero um cacho de beijos
pra levar pra minha irmã
e também um que de nuvens
para a minha gatinha anã.

Roseana Murray

terça-feira, 3 de maio de 2011

Horizonte
Roseana Murray

Se eu apagasse a fina
linha do horizonte
será que o céu
cairia no mar?
E as estrelas e a lua
começariam a navegar?

Ou será que o mar
viraria céu
e os peixes
aprenderiam a voar?

sábado, 23 de abril de 2011

Avesso
Roseana Murray

Atravessaria um rio grosso
no meio da noite
para decifrar tuas pegadas,
o rastro luminoso dos teus olhos.

Atravessaria a superfície
silenciosa dos espelhos
para ver o teu avesso.

Caminharia sobre água
e fogo
para soletrar teu corpo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011


Quero asas de borboleta azul
para que eu encontre
o caminho do vento
o caminho da noite
a janela do tempo
o caminho de mim

Roseana Murray
Caixinha Mágica
Roseana Murray

Fabrico uma caixa mágica
para guardar o que não cabe
em nenhum lugar:
a minha sombra
em dias de muito sol,
o amarelo que sobra
do girassol,
um suspiro de beija-flor,
invisíveis lágrimas de amor.
Fabrico a caixa com vento,
palavras e desequilíbrio,
e para fechá-la
com tudo o que leva dentro,
basta uma gota de tempo.

O que é que você quer
esconder na minha caixa?

sábado, 12 de março de 2011

Janelas
Roseana Murray

Em todas as janelas me debruço,
em todos os abismos
estendo uma corda
e caminho sobre o nada.
Também ando sobre as águas,
subo em nuvens,
galgo intermináveis escadas.
Abro todas as portas
e cavernas com um sopro
ou três palavras mágicas.
Mergulho em torvelinhos,
danço no meio do vento,
pulo dentro da tempestade.
Em cada encruzilhada me sento
e tento arrumar o destino,
estranho castelo de areia

domingo, 6 de março de 2011

Sinos
Roseana Murray

quando estava só
nos meus vastos campos
de machucadas orquídeas
e silêncio
e à noite bebia em taças opacas
estrelas líquidas e passado
e o vento do deserto
me alcançava trazendo
o rumor dos mortos
você chegou
com vassoura de luz
varreu a casa e limpou os sinos

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Receita de Olhar
Roseana Murray

Nas primeiras horas da manhã
desamarre o olhar
deixe que se derrame
sobre todas as coisas belas
o mundo é sempre novo
e a terra dança e acorda
em acordes de sol

segunda-feira, 15 de março de 2010

Receita Para Dias de Chuva
Roseana Murray

Dia de chuva é para viajar
na neblina e no vento
para dentro para dentro

Um livro fechado espera
que se abram suas portas
com as chaves do pensamento

domingo, 7 de março de 2010

Receita de Arrumar Gavetas
Roseana Murray

Separe coisa por coisa:
de um lado o pólen do passado
as raízes do que foi importante
os retratos os bilhetes

os horários de chegada
de todos os navios-pirata
os sinos que anunciam
que há um amigo na estrada

do outro lado um espaço vazio
para o que vai acontecer
as surpresas do destino
os desatinos do acaso

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Recado
Roseana Murray

Ao vento da noite sussurro
sete segredos; tudo que
tenho por fora tudo que tenho
por dentro, que o vento vá levando
minha sede de amor, pule cerca
pule sebes abra porteiras no mar
derramando meu recado nos quatro
cantos do ar...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010


Receita de Inventar Presentes
Roseana Murray

Colher braçadas de flores
bambus folhas e ventos
e as sete cores do arco-íris
quando pousam no horizonte
juntar tudo num instante
num caldeirão de magia
e então inventar um pássaro louco
um novo passo de dança
uma caixa de poesia

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


Receita Contra Dor de Amor
Roseana Murray

Chore um mar inteiro com todos os seus barcos a vela.
Chore o céu e as suas estrelas os seus mistérios e o
seu silêncio.
Chore um equilibrista caminhando sobre a face de um poema.
Chore o sol e a lua a chuva e o vento para que uma nova
semente entre pela janela adentro.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010


O Primeiro Beijo
Roseana Murray

O primeiro beijo inaugura a casa
inaugura o corpo, talha a
primeira pedra do caminho.

Pode e deve ser doce
abelha inventando o mel
pode e deve ser louco
doce vôo louco no corpo
do outro.