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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


"Eu só empresto livros para quem tenho certeza
de que os ama tanto quanto eu, e quando sei
que serão lidos num prazo razoável,
Se não há intenção de me devolver logo,
estabeleçam um resgate: eu pago!"

(Martha Medeiros)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

“Quer coisa melhor do que ficar quieto
ao lado de alguém,
sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso.”
 
Martha Medeiros
“Estou tão acostumada comigo
que nem percebo que para os outros
sou estranha, objeto de opiniões,
as contrárias e as melhores.”

Martha Medeiros

domingo, 28 de agosto de 2011

Você cumpre o ritual todinho,
faz tudo como o esperado
e é feliz,
puxa como é feliz.
E o grito lá dentro:
mas você não queria ser feliz,
queria viver!

Martha Medeiros

quinta-feira, 14 de abril de 2011


















Eu,
modo de usar:

pode invadir ou chegar com delicadeza,
mas não tão devagar que me faça dormir

não grite comigo tenho o péssimo hábito de revidar
acordo pela manhã com ótimo humor
mas permita que eu escove os dentes primeiro

toque muito em mim, principalmente nos cabelos
e minta sobre minha nocauteante beleza

tenho vida própria, me faça sentir saudades,
conte umas coisas que me façam rir
mas não conte piadas
nem seja preconceituoso, não perca tempo
cultivando este tipo de herança dos seus pais

viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim
para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude

eu saio em conta, você não gastará muito comigo

acredite nas verdades que digo e também nas mentiras
elas serão raras e sempre por uma boa causa

respeite meu choro, me deixe sozinha
só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre
que eu também gosto de ser contrariada
(então fique comigo quando eu chorar, combinado)

seja mais forte que eu e menos altruísta

não se vista tão bem, gosto de camisa para fora da calça
gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço

reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto
boca, cabelos, os pelos no peito e um joelho esfolado
você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade

leia, escolha seus próprios livros, releia-os

odeie a vida doméstica e os agitos noturnos
seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate
que isto é coisa de gente triste

não seja escravo da televisão, nem xiíta contra
nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai

invente um papel pra você que ainda não tenha sido preenchido
e o invente muitas vezes, me enlouqueça uma vez por mês
mas me faça uma louca boa, uma louca que ache graça
e tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca

goste de música e de sexo, goste de um esporte não muito banal

não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa
apresentar sua família, isso a gente vê depois,se calhar

deixe eu dirigir o seu carro, aquele carro que você adora

quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres
tenha amigos e digam muitas bobagens juntos

não me conte seus segredos,me faça massagem nas costas
não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções, me rapte

se nada disso funcionar
experimente me amar

Martha Medeiros

domingo, 3 de abril de 2011

"Quem você pensa que é?"
perguntou pra mim de queixo em pé...
Sou forte, fraca, generosa, egoísta, angustiada,
perigosa, infantil, astuta, aflita, serena, indecorosa,
inconstante, persistente, sensata e corajosa,
como é toda mulher, poderia ter respondido
mas não lhe dei essa colher. "

(Martha Medeiros)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

para a mãe que desabrocha, rosa
para a mãe que bem-me-quer, margarida
para a mãe que gosta de champanhe, tulipa
para a mãe que gosta de orquestra, orquídea
para a mãe que é um violão, violeta
para a mãe que não dorme, girassol
para a mãe que trabalha, sempre-viva
para a mãe que defende, boca-de-leão
para a mãe que é linda, lírios
para a mãe que gera, gerânios
para a mãe que ama, amor-perfeito
 
Martha Medeiros


segunda-feira, 21 de março de 2011

aquela meio estrábica com um vestido bordado
jura que me viu com um vigarista no último verão

aquele de terno claro e cabelo implantado na testa
jura que fiz gato e sapato do meu analista

aquela morena com bolsa combinando com o escarpim
jura que me endividei para ter um carro blindado

por mais que eu procure ser pontual nas festas
minha reputação chega sempre antes de mim


Martha Medeiros




















clamamos e pedimos a Deus, por favor
quero esquecê-lo, quero tirá-lo do meu coração
uma oração, uma promessa, diga-me, Senhor, o preço
a penitência, quantas valsas e dores, revele-me
a conduta adequada, a reza que vai desertá-lo

choramos e rogamos a Deus, por favor
uma explicação, como pude esquecê-lo tão rápido
depois de um amor tão intenso e profundo e caro
diga-me, Senhor, a parte do Evangelho, se fico de joelhos
quantas missas, Senhor, para recordá-lo

Martha Medeiros

quarta-feira, 5 de maio de 2010


"...O tempo passou,
eu continuei acordando e
indo dormir todos os dias
querendo ser mais feliz para ele,
mais bonita para ele,
mais mulher para ele.

Até que algo sensacional aconteceu...

Um belo dia eu acordei tão bonita,
tão feliz,
tão realizada,
tão mulher,
que eu acabei me tornando
mulher DEMAIS para ele.
Ele quem mesmo?"

Martha Medeiros

domingo, 25 de abril de 2010

Te amei e amei minha fantasia
Amei de novo e amei a nossa estréia
Amei meu próprio amor e amei a tua audácia
Te amei muito e pouco e comovidamente
Amei a história construída, os ritos e os porquês
Te amei no invisível e no inaudível
Amei no crível e no incrível
Amei ser dona e te amei freguês
Te amei e amei a farsa arquitetada
Amei o nosso caso e amei a nossa casa
Amei a mim, amei a ti, parti-me ao meio
Te amei no profundo, no raso e com atraso
Não era tua hora, não era a minha vez.

Martha Medeiros

quarta-feira, 17 de março de 2010

De Cara Lavada
Martha Medeiros

hoje me desfiz dos meus bens
vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos

o quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos

a tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos

a cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos

aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que não regamos

coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que não soubemos curar
mas que um dia vamos

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ele era gago, vesgo e mancava de uma perna
e daí? era gostoso, inteligente e tinha uma
boca linda
Sabia dizer coisas belas em horas estranhas
e chorava quando se sentia completamente
feliz

Martha Medeiros

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A todos trato muito bem
sou cordial, educada, quase sensata,
mas nada me dá mais prazer
do que ser persona non grata
expulsa do paraíso
uma mulher sem juízo, que não se comove
com nada
cruel e refinada
que não merece ir pro céu, uma vilã de novela
mas bela, e até mesmo culta
estranha, com tantos amigos
e amada, bem vestida e respeitada
aqui entre nós
melhor que ser boazinha é não poder ser imitada.

Martha Medeiros

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Quanto mais escrava
mais escrevo
pra libertar essa mulher da vida
que me habita

Martha Medeiros

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Quando bebo além da conta
minha língua fica esperta e meus olhos
brilham mais
quem me dera todo dia essa alegria de taberna

Martha Medeiros

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Me visto de vermelho
a raiva tem essa cor

uma lança na mão
uma mancha no lençol

São Jorge
um dragão
um sonho solto

estou pronta para enfrentar
meu inferno zodiacal

Martha Medeiros

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Foi então que ela viu no calendário
um sofrimento diário
uma dor que tinha número
e uma aflição já havia um mês

foi então que resolveu queimá-lo
e trocá-lo por uma ampulheta
que baixa a dor mais rápido
e mata O amor de vez

Martha Medeiros

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Envelhecer, quem sabe
não seja assim tão desastroso
me interessa perder esta ansiedade
me atrai ser atraente mais tarde
um pouco mais de idade, que importa
envelhecer, quem sabe
não seja assim tão só

Martha Medeiros

terça-feira, 26 de janeiro de 2010


Tenho duas, três, quantas?
São várias dentro de mim
Já não suporto acordar sendo careta
E depois do almoço
Vestir renda vermelha e no final da tarde
Buscar os filhos no colégio e à noite renda preta


Martha Madeiros