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segunda-feira, 1 de março de 2010

Deixei a luz a um lado e numa beira
da cama em desalinho me sentei,
sombrio, mudo, os olhos imóveis
cravados na parede.
Que tempo estive assim? Não sei; ao deixar-me
a horrível embriaguez da dor
já expirava a luz, e na varanda
ria o sol.

Não sei tão-pouco em tão terríveis horas
em que pensava ou que passou por mim;
recordo só que chorei e blasfemei
e que naquela noite envelheci.

Gustavo Adolfo Bécquer

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010


Espreitava em seus olhos uma lágrima,
e em meus lábios uma frase a perdoar;
falou o orgulho, o seu pranto secou,
senti nos lábios essa frase expirar.
Eu vou por um caminho, ela por outro;
mas, ao pensar no amor que nos prendeu,
digo ainda: porque me calei aquele dia?
E ela dirá: porque não chorei eu?


Gustavo Adolfo Bécquer

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010


Por um olhar, um mundo;
por um sorriso, um céu;
por um beijo... não sei
que te daria eu.



Gustavo Adolfo Bécquer

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


É um sonho esta vida,
mas um sonho febril de um instante único.
Quando dele se acorda,
vê-se que tudo é só vaidade e fumo...
Oxalá fosse um sonho
bem profundo e bem longo,
um sonho que durasse até á morte!...
Eu sonharia com o meu e teu amor.


Gustavo Adolfo Bécquer