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sexta-feira, 17 de julho de 2009


Sou inconstante como o vento
Sou inconstante como a vaga
Por isso fica
Enquanto estou desvelada
Enquanto eu não for
Vento ou vaga.
(Olga Savary)

terça-feira, 16 de junho de 2009


Desmistificação
Olga Savary

Não sou um ser macio
como a água distraída
sem um som em que me apóie
na lâmina dos ventos
ou do vago rumor entre duas ondas;
não sou um ser gentil, dizia,
sou uma guerreira.

domingo, 14 de junho de 2009


Numa Praia Deserta
(A Carlos Drummond de Andrade)
Olga Savary

Para que servem conchas
na deserta praia, para que servem
esses bocados de algas e sargaços,
se não estás aqui e de nada adianta
apanhá-los para te dar.

Sei fazer poemas: de que servem?
Nada sei do mar.

Presente
(A Carlos Drummond de Andrade)
Olga Savary

Rosas vermelhas as mais
vermelhas já ofertadas
vêm na crista da manhã
trazendo-te, amigo amado,
acompanhando o poema
que de tão belo e tão terno
empina alegria qual pipa
e a luz deste mais dia.
Mesmo depois de secas
estas flores guardarei,
duas dúzias na braçada
nunca mais nenhuma igual.
Amizade-quase-amor
ou amizade amorosa,
o presente é tua presença
imponderável nas rosas
e inteiro no poema.

sábado, 13 de junho de 2009


Nome
Olga Savary

Não eram lírios os lírios
caídos na areia, caídos
na areia roxa da noite
quase noite.
Não eram lírios, não eram
como tua sombra, eu sei,
mas eram muito mais lírios
que os lírios. Por isso
de lírios os chamarei.

quinta-feira, 11 de junho de 2009


As Subterrâneas
Olga Savary

Mais belas que estas flores
- mas muito mais belas - que florescem
atormentando mil verdes,
mais belas que estas vermelhas
incendiando o jardim,
onde mãos imprecisas
castigam querendo colher,
são as nunca nascidas,
são essas flores ocultas
em subterrâneos desejos.

quarta-feira, 10 de junho de 2009


Quero apenas
Olga Savary

Além de mim, quero apenas
essa tranqüilidade de campos de flores
e este gesto impreciso
recompondo a infância.

Além de mim
– e entre mim e meu deserto –
quero apenas silêncio,
cúmplice absoluto do meu verso,
tecendo a teia do vestígio
com cuidado de aranha.

terça-feira, 9 de junho de 2009


Inútil
Olga Savary

Se fosses estrela
eu seria esse bocado de céu
que te sustém.

Se fosses alga
eu seria essa vagarosa vaga
te embalando vagarosamente.

Se fosses um vago som
ou tom no fim da tarde
eu seria esse não imaginado vento
te desencadeando.

Mas, de que vale pensar nisso
se te busco e não sei quem és
se me esperas e não sabes quem sou.

segunda-feira, 8 de junho de 2009


Tranquilidade na Tarde
Olga Savary

Ah, derramar-me líquida sobre o mar
- ser onda indefinidamente -
esperar pela primeira estrela
e dela ser apenas
espelho.

quarta-feira, 3 de junho de 2009


Gazel I
Olga Savary

De amor, criei (incriado)
Este jardim secreto
De rosas fechadas em seu tédio
E esperoAquele que virá e há de decifrar
Hieróglifos de ternura desenhados
Pela lua em meu corpo – seu legado.

O amado pedirá em minha boca
O segredo desvendado a todas as perguntas.
Eu lhe responderei sem palavras
Mas com o perigoso silêncio parecido
Ao rumor da água caindo
Sem cessar.