segunda-feira, 10 de agosto de 2009


Apresentação
Cecília Meireles

Aqui está minha vida – esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.

Aqui está minha voz – esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.

Aqui está minha dor – este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.

Aqui está minha herança – este mar solitário,
Que de um lado era amor e, do outro, esquecimento.
Apontamentos
Cecília Meireles


Ó noite, ó noite, ó noite!
Luar e primavera
E os telhados cobrindo
Sonhos que a vida gera!

Subo por essas horas
Solidária e sincera,
E encontro, exausta e pura,
Minha alma que me espera.
Impossível de Esquecer
Composição:Eyshila


Amigo é muito mais
Do que alguém pra conversar
Alguém pra abraçar.

Amigo é uma benção
Que vem do coração de Deus
Pra gente cuidar.

É assim que você é pra mim
Como uma pérola
Que eu mergulhei pra encontrar
É assim que você é pra mim
Um tesouro que pra sempre eu vou guardar.

Amiga, eu nunca vou desistir de você
E pela a tua vida eu vou interceder
Mesmo que eu esteja longe
Meu amor vai te encontrar
Porque você é impossível de esquecer.

Eu acredito em você
Eu acredito nos sonhos
De Deus pra tua vida, amiga
Eu oro por você
Porque a tua vitória também é minha.

terça-feira, 4 de agosto de 2009


Minha Culpa
Florbela Espanca

Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem Quem sou?

um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo...um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!

Sei lá quem sou?Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...

Uma estátua truncada de alabastro...
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,

Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...

Horas Rubras
Florbela Espanca

Horas profundas, lentas e caladas,
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...

Oiço as olaias rindo desgrenhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas...

Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos...
Vestiu-os o luar de sedas puras...

Sou chama e neve branca e misteriosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

Soneto Ao Nosso Encontro
JG de Araújo Jorge

Desenrolam-se as curvas do caminho
à proporção que aos poucos avançamos...
Um dia, - e eu vinha então triste e sozinho,
- um dia, - vinhas só... nos encontramos...

Desde esse dia, juntos, simulamos
duas asas de um mesmo passarinho,
- nesse destino que entrançou dois ramos
que dão a mesma flor... e o mesmo espinho...

Depois de tantas curvas já vencidas
que sejamos ao fim de nossas vidas
na perfeição do amor que nos conduz,

- como a folhagem que um só ninho esconde,
ou dois galhos que vêm da mesma fronde
para juntos morrer na mesma cruz !

segunda-feira, 3 de agosto de 2009


Versos Que Te Dou
J. G. de Araújo Jorge

Ouve estes versos que te dou.
Eu os fiz hoje que sinto o coração contente.
Enquanto o teu amor for meu somente,
eu farei versos... e serei feliz...

E hei de fazê-los pela vida afora.
Versos de sonho e amor, e hei depois
relembrar o passado de nós dois...
Esse passado que começa agora...

Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
possa perturbar nossa ventura...

Quando o tempo branquear os teus cabelos,
hás de um dia, mais tarde, revivê-los,
nas lembranças que a vida não desfez...

E ao lê-los... com saudade em tua dor...
Hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...

Se nesse tempo eu já tiver partido
e outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou...

Quando lá, novamente, então tu fores,
poderás colher, do chão, todas as flores,
pois são versos de amor que ainda te dou!

Soneto
Nunes Claro

Vieste tarde, meu amor. Começa
em mim caindo a neve devagar...
Morre o sol; o outono vem depressa,
e o inverno, finalmente, há de chegar.

E se hoje andamos juntos, na promessa
de caminharmos toda a vida a par,
daqui a pouco o teu amor tem pressa
e o meu, daqui a pouco, há de cansar.

Dentro em breve, por trás das velhas portas,
dando um ao outro só palavras mortas,
que rolam mudas sobre nossas vidas,

ouviremos, nas noites desoladas:
tu, a canção das vozes desejadas;
eu, o chorar das vozes esquecidas.

Solidão
JG de Araújo Jorge

Um frio enorme esta minha alma corta,
e eu me encolho em mim mesmo: - a solidão
anda lá fora, e o vento à minha porta
passa arrastando as folhas pelo chão...

Nesta noite de inverno fria e morta,
em meio ao neblinar da cerração,
o silêncio, que o espírito conforta,
exaspera a minha alma de aflição...

As horas vão passando em abandono,
e entre os frios lençóis onde me deito
em vão tento conciliar o sono

A cama é fria... O quarto úmido e triste...
- Há uma noite de inverno no meu peito,
desde o instante cruel em que partiste...
Se Te Amo...
Gonçalves Dias

Amar! se te amo, não sei.
Oiço aí pronunciar
Essa palavra de modo
Que não sei o que é amar.

Se amar é sonhar contigo,
Se é pensar, velando, em ti,
Se é ter-te n'alma presente
Todo esquecido de mim!


Se é cobiçar-te, querer-te
Como uma bênção dos céus
A ti somente na terra
Como lá em cima a Deus;

Se é dar a vida, o futuro,
Para dizer que te amei:
Amo; porém se te amo
Como oiço dizer, — não sei.
Reflexão Total
Antônio Gedeão

Recolhi as tuas lágrimas
Na palma da minha mão,
E mal que se evaporaram
Todas as aves cantaram
E em bandos esvoaçaram
Em torno da minha mão.
Em jogos de luz e cor
Tuas lágrimas deixaram
Os cristais do teu amor,
Faces talhadas em dor
Na palma da minha mão.



domingo, 2 de agosto de 2009

O Amor é o Amor
Alexandre O’Neill

O amor é o amor – e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos – somos um? Somos dois? –
espírito e calor!

O amor é o amor – e depois?!